STF reage. Golpistas e pragmáticos se armam

O Judiciário decidiu reagir à escalada de Bolsonaro sob a bandeira do voto impresso. Na reabertura dos trabalhos, após o recesso de meio de ano, as altas cortes, em ação articulada, foram a campo para fazer valer a Constituição e enquadrar o ocupante do Planalto – algo que até mesmo fardados da reserva, como o general Santos Cruz, já pediam.

A primeira estocada foi uma iniciativa conjunta de nove presidentes do STF e outros nove ex-presidentes do TSE, pela assinatura de nota oficial condenando os arroubos do de Jair e sua cruzada pelo voto impresso e contra as urnas eletrônicas.

Ficou de fora da lista Kassio Nunes Marques, cujo gabinete expediu nota informando que “não foi consultado previamente a fim de que pudesse concordar, ou não, com a nota do TSE”. Marques se diz favorável à iniciativa, mas lembra que “o debate acerca do voto impresso auditável se se insere no contexto nacional como uma preocupação legítima do povo brasileiro”.

Pela nota, sua ausência é autoexplicativa. Já sua avaliação sobre as preocupações do povo brasileiro quanto ao voto impresso leva o timbre dos documentos do Palácio do Planalto. Sem novidade.  

Mais tarde, em discurso de retomada do período judiciário, foi a vez do presidente do STF Luiz Fux lembrar ao delirante capitão: “a interpendência entre Poderes não implica impunidade atos que exorbitem o necessário respeito às instituições. ”

Pra fechar o dia, em sessão noturna do TSE, seu presidente Luís Roberto Barroso, depois de fala em que confrontou as ameaças de realização das eleições e demoliu uma a uma as versões que levariam as suspeições sobre elas, conseguiu a aprovação por unanimidade:  abertura de inquérito administrativo contra Bolsonaro e sua inclusão no processo das fake News aberto pelo Supremo.

Será suficiente para frear as ações golpistas de Jair? Não e ele já deixou claro que não. Espera-se que o próprio Fux se convença disso. Melar as eleições e apelar pela disseminação do caos, atiçando suas milícias virtuais, é o que resta ao capitão. É o terreno onde tem mais chance de florescer  

Arthur Lira já deu de barato que a tese do tal “voto impresso auditável” não passa pela Câmara, ainda que faça um discurso dúbio a respeito de sua adoção. Já quanto aos resultados deve assumir com seu Centrão o tradicional pragmatismo.

Diante dos sinais de suposta consolidação de um novo Fla x Flu em 22, entre Lula e o capitão, vários já se dispõem a embarcar na canoa do vencedor – seja ele quem for. Para esses, um strike pela terceira via é um péssimo negócio. Sem novidade.  

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