Já podemos encarar a Venezuela

Bolsonaro resolveu botar seu bloco na rua. No caso, a Esplanada dos Ministérios, onde sua turba sente-se em casa para se manifestar. Consta que o motivo para o desfile seria a entrega de convite da Marinha ao capitão para o treinamento militar das três Forças, programado, como habitual, para o município de Formosa, próximo ao DF, na próxima semana.

Tanques da Marinha em desfile pelo Planalto: entrega de convite a Bolsonaro

A tal demonstração de força foi programada justamente para o dia em que Câmara votaria a PEC do voto impresso, cujo resultado – previsível – foi o enterro da proposta. “Coincidência trágica”, manobrou Arthur Lira. Já fardados, como o general Santos Cruz preferiram logo torpedear a iniciativa para expressar o ridículo da situação. “Mobilizar um aparato militar para levar um convite? ”, ironizou o general.

Informa a jornalista Thaís Oyama que nos bastidores da farda o tempo fechou. O Alto Comando do Exército teria tentado demover seu comandante, o general Paulo Sérgio, de ir ao encontro, e o pressionado a pedir o boné. O general já havia capitulado diante do capitão ao relevar a punição a Pazuello por ter participado de ato político, vetado a militares da ativa. Com certeza previam outro mico sob a chancela de Jair.

Mas o vexame foi ainda maior quando os blindados começaram a passar na frente do Palácio Planalto, onde Jair e seus ministros das Forças aguardavam o convite. Soltando fumaça pelas ventas, os tanques nos remeteram à era Khrushchev e seu clássico Trabant, o fusca da antiga Alemanha Oriental e que ainda sobrevive nas ruas da Budapeste de seu aliado Viktor Orbán, o parceiro de Bolsonaro das causas despóticas e negacionistas.

A origem é outra, mas é do mesmo tempo. Quem entende do riscado militar reconhece os blindados como refugo da Guerra do Vietnã. Contam-se nos dedos os países que ainda os mantêm em operação, além da Marinha Brasileira. Botsuana, Tunísia … Na América do Sul, Argentina e Bolívia ainda ostentam os trambolhos a diesel em suas frotas. O que, convenhamos, de repente podemos tirar daí uma vantagem. Já podemos encarar a Venezuela.

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