O racha e a morte das democracias

O Vem Pra Rua apostou no racha do movimento Fora Bolsonaro neste domingo em São Paulo. Havia um acordo prévio entre partidos e movimentos participantes de que não haveria manifestação contra Lula ou PT.

Não adiantou. Postado com seu carro de som à frente da Fiesp, local tradicionalmente reservado aos patos de Paulo Skaf, o Vem Ra Rua decidiu pagar mico e ergueu um gigantesco pixuleco de Lula abraçado a Bolsonaro. Não são confiáveis. O Vem Pra Rua deveria ir pra casa e revisar a história recente do País e a sua própria contribuição para o cenário atual.

Mas eles não foram os únicos a tentar o esvaziar as manifestações. Às vésperas dos eventos, circulou a tese, tanto entre bolsonaristas como na esquerda, de que haveria um acordão pelo qual o capitão teria dado um caldo no Supremo e no Congresso, a partir do Documento à Nação, arquitetado por Michel Temer.

Na sexta-feira após o apocalíptico Sete de Setembro, o ex-presidente chegou a ser ovacionado em um restaurante de São Paulo pelo feito. Temer empenhou seu cacife político na empreitada e (diz que) acredita ter estancado de vez os delírios golpistas de Bolsonaro. Com ou sem acordão, Temer parece ignorar estar tratando com um golpista aloprado farsante.

Em entrevista à Coluna do Estadão, na semana passada, o americano Steven Levitsky, cientista político e coautor de Como as Democracias Morrem, abordou a recente escalada de ataques de Bolsonaro contra o STF. “Ataques ao Judiciário costumam ser o primeiro passo de autocratas para tentar ficar no poder. Autocratas usam a violência, às vezes, como desculpa para tentar destruir pouco a pouco a democracia. ”

Ainda que não descarte totalmente a possibilidade de um golpe no Brasil, Levitsky acha a hipótese pouco provável pela falta de apoio e debilidade política do capitão. De qualquer maneira considera que o sistema presidencialista brasileiro é o principal fator de instabilidade política e estará sempre sujeito à subida ao poder de tipos como Bolsonaro. Por isso ele crê que uma reação à altura do campo democrático deveria convergir para uma coalizão capaz de detonar o capitão já no primeiro turno    

“Para garantir a sobrevivência da democracia, deveria se formar uma ampla coalizão, do PT à centro-direita, por um candidato. Mas sei que é pedir muito. Lula e o PT teriam que fazer concessões significativas, na economia e na Justiça. Deveriam ter feito isso na eleição de 2018 e não fizeram. Vimos as consequências.

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