COP 26 – “O mundo precisa acordar”

Às vésperas da abertura da COP 26, a cúpula da ONU sobre as mudanças climáticas, o mundo se defronta com um horizonte ainda mais ameaçador. Estamos está à beira de um superaquecimento de altíssimo risco. “Chegamos a um ponto crítico”, resumiu o secretário-geral da ONU, António Guterres. “A alteração do nosso e do nosso planeta já é pior do que pensávamos e avança mais rápido do que o previsto. ”

 O alerta de Guterres vem na esteira do último relatório Unidos na Ciência, produzido sob a coordenação da Organização Meteorológica Mundial. Segundo o levantamento é provável que nos próximos cinco anos as temperaturas ultrapassem a marca de 1,5° C acima da média da era pré-industrial.

Como se sabe, pelo Acordo de Paris de 2015, havia o compromisso assinado por 193 países de não ultrapassar essa marca crucial antes de 2050. Até o fim do século esse limite previsto de contenção do aquecimento global era de 2° C abaixo daquela média. Mas como mostra o relatório a temperatura média do globo só no período entre 2017 e 2021 já batia níveis pré-industriais em até 1,26°C.

De nada adiantou a retração das atividades econômicas no mundo em razão da pandemia. Só no primeiro semestre este ano, as emissões dos segmentos de energia elétrica e industrial já encostavam ou superavam índices pré-pandemia. Alguns cálculos e projeções fornecidos pela ONU.

Conter o aquecimento global a 1,5°C pode preservar um universo de 420 milhões de pessoas a ondas de calor extremas. Ao invés, transpor o limite crítico de 2°C é contribuir para que algumas das áreas mais povoadas do mundo sejam transformadas em desertos ou cobertas pelo mar.

“Vossas Excelências”, discursou Guterres na abertura a 76ª. Assembleia Geral das Nações Unidas, na segunda (21). “Estou aqui para soar o alarme: O mundo precisa acordar. Estamos à beira do abismo e nos movendo na direção errada. ”

Alok Sharma, presidente da COP 26 – que acontece de 1 a 12 de novembro em Galsgow, na Escócia, lista os tópicos que a seu ver a conferência deverá ter como ponto de partida para um acordo global.

– Manter a meta de 1,5°C viva, ainda que os barões do petróleo resistam

– Definir uma data para abolição da energia proveniente do carvão

– Injeção de 100 bilhões de dólares para o financiamento climático anual, como contribuição aos países emergentes na transição

– Estipular um prazo ente 14 e 19 anos para que os novos automóveis zerem as emissões

­– Reduzir significativamente s emissões e metano, gás potencialmente dezenas de vezes mais prejudicial que o dióxido de carbono emitido pela frota de automóveis

– Zerar o desmatamento até o final da década.

Factível? Vossas Excelências devem decidir.

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