Leilão da ANP faz água. O mundo agradece

O resultado do leilão da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis realizado no Rio nesta quinta soa como o desarme de uma bomba-relógio. Entre os 92 blocos oferecidos para exploração, nada menos que catorze estavam na bacia sedimentar Potiguar, localizada ao longo da costa do Ceará e o Rio Grande do Norte, próximos a não mais que 300 quilômetros de Fernando de Noronha e da Reserva Biológica do Atol das Rocas, áreas sob proteção da ONU.

Os riscos a que estariam expostos toda a cadeia submarina e as comunidades locais e o potencial de desastres ambientais a partir da implantação de plataformas transformavam o projeto em mais uma aberração do governo Bolsonaro.

Ao final apenas cinco lotes foram arrematados, todos na Bacia de Santos, no litoral paulista. Valeu a pressão de ambientalistas, ONGs e cientistas.

“No primeiro momento achei que era um grande mal-entendido, tamanho o absurdo que isso pareceu não só para mim, mas para toda a comunidade científica”, comentou o vice-reitor da Universidade Federal de Pernambuco e doutor em Física e Química Ambiental, Moacyr Araújo, em entrevista para A Pública. Diz ele:

“Esses oásis de vida são fundamentais para a vida de toda essa parte do oceano. Em caso de um acidente, isso afetaria uma área enorme, de mais de mil quilômetros. E mesmo a atividade normal já impacta demais o ambiente porque você vai ter perfuração em rocha vulcânica, em cima dos montes, onde existe recife de coral, esponjas, uma biodiversidade enorme. É um ambiente sensível, com espécies endêmicas que povoam aquela região justamente porque tem suas larvas transportadas pelas correntes dentro desse sistema. Um desastre”.

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