Nobel da Paz, absorvente e o planeta contra Bolsonaro

“Vocês agora estão parecidos com a gente nas Filipinas, né?”,  comentou com humor a jornalista Maria Ressa em conversa com Ernesto Paglia, da Globo, comparando o estado de opressão em que vivem os filipinos, sob o governo ditatorial de Rodrigo Duterte, ao reino negacionista de Bolsonaro.

Ressa foi uma das vencedoras do Nobel da Paz este ano. O outro foi o russo Dimitri Muratov. À frente do site de notícias Rappler, Ressa resiste ao cerco imposto por Duterte, que usa do mesmo expediente do brasileiro ao desacreditar a imprensa e promover campanhas de ódio pelas redes sociais contra seus opositores.

Presa duas vezes, Ressa ainda enfrenta uma série de processos movidos pelo governo filipino. E já foi alvo de ameaça direta por parte do ditador –  que acumula em sua ficha milhares de execuções extrajudiciais de gente acusada de tráfico de drogas e incentiva o extermínio de viciados em drogas. “Você pensa que por ser jornalista está livre de ser assassinada. Está muito enganada”.  

Já Muratov, no comando editorial do jornal independente Novaia Gazeta, que tem entre seus acionistas minoritários Mikhail Gorbatchov, lidera a resistência contra repressão midiática patrocinada pelo Kremlin de Putin.

A um custo altíssimo: seis jornalistas do Novaia foram mortos no exercício de suas atividades – o caso mais rumoroso foi o assassinato de Anna Politkovskaia, executada a tiros em 2006, depois de uma campanha cerrada contra a intervenção russa na Tchetchênia.

Com a premiação, o Comitê do Nobel ecoa a resistência dos premiados e de toda a comunidade jornalística mundial contra regimes totalitários e emite um alerta para a ofensiva em curso contra a democracia e os direitos humanos.

Na mira da Unesco

A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) pede investigação profunda sobre a denúncia do uso de proxalutamida feita no Amazonas e que causou a morte de cerca de 200 pessoas.

A Organização considera a denúncia, feita pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa à Procuradoria Geral da República, “uma violação aos direitos humanos e uma das infrações éticas mais graves e sérias da história da América Latina. ”

Desenvolvida por uma farmacêutica chinesa, a droga em estudo era destinada ao tratamento de tumores de mama e próstata, antes de ser levada a pesquisa experimental – isso quando o Amazonas ainda vivia o horror da segunda onda da Covid.  Claro, sem base científica comprovada e sem aval da Anvisa. Mas recomendada pelo capitão como novo elixir depois da panaceia do kit Covid.

Escalada negacionista

A escalada negacionista na Corte de Jair, O Bárbaro ganhou contornos sobressalentes esta semana. Começou com a retirada de pauta do estudo produzido por especialistas sobre o uso indevido da cloroquina. Concluíram que uma reprovação na reta final da CPI seria levar ao forno a batata do capitão.

Na sequência, o próprio ameaçou tirar recursos da Saúde e da Educação caso insistissem em bancar a supérflua distribuição de absorventes higiênicos a mulheres de baixa renda.

Por fim, aliviaram em $R 600 milhões o orçamento do Ministério da Ciência de Tecnologia e Inovações para cobrir outras áreas – certamente de maior interesse do capitão e de deputados que avalizaram a tunga.

O lunático Marcos Pontes, que comanda a pasta do MCTI disse pela rede que achava o corte pura “falta de consideração. ” Seria providencial um contato imediato com o mundo paralelo em que vive Pontes e explicar-lhe a natureza do governo que ele integra.

E para coroar a semana, o capitão ganhou holofote mais uma vez na mídia internacional, nesta terça (12), com a aterrissagem na sede do Tribunal Penal Internacional, em Haia, de nova denúncia por crimes contra a humanidade que ele deve responder em decorrência de sua nefasta política ambiental. O czar da destruição já acumula seis denúncias no Tribunal, a primeira e natureza ambiental.

Dessa vez a iniciativa partiu da ONG All Rise, que reuniu cientistas, ambientalistas e juristas em torno de um tema singelo: “O Planeta contra Bolsonaro. ”

Uma unanimidade. Na semana em que o Nobel jogou luzes sobre as atrocidades de dois mandatários cruéis, Bolsonaro foi o destaque.    

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